Otosclerose: o que é, causas, sintomas e dicas.


Entendendo o sistema auditivo


Primeiramente devemos entender brevemente como funciona o nosso sistema auditivo: a orelha externa é responsável por captar ondas sonoras e assim encaminhá-las para o canal auditivo que consequentemente irá fazer o tímpano vibrar. Essa vibração será conduzida pela orelha média através da movimentação de três ossículos (o martelo, a bigorna e o estribo) para dentro da cóclea que se localiza na orelha interna. Na cóclea as vibrações se transformam em sinais elétricos, que por fim são levados até o cérebro pelo nervo auditivo e assim são interpretados os estímulos sonoros.


Qualquer mudança ou incidente que interfira nesse fluxo de estímulos acarreta na perda da audição. Essa perda auditiva pode ser condutiva, quando é provocada por alguma anomalia ou disfunção mecânica, ou então pode ser neurossensorial, quando alguma disfunção ou anomalia atinge a cóclea ou o nervo auditivo, não chegando assim os estímulos ao cérebro.


O que é a doença


A otosclerose, também conhecida como otospongiose, é uma doença responsável pela calcificação e crescimento anormal no osso, esse crescimento restringe o movimento do estribo interferindo na condução das vibrações sonoras da orelha média para a orelha interna, que ficam localizadas dentro do osso temporal, e consequentemente impedem que as estruturas presentes no ouvido trabalhem normalmente e assim levam a uma perda auditiva gradual. Além disso há a possibilidade dessas alterações/crescimento se instalarem ao redor da cóclea e interferir na transmissão dos impulsos nervosos para o nosso cérebro.


Portanto a otosclerose pode causar tanto a perda auditiva condutiva quanto a perda auditiva neurossensorial.


A doença possui seu início precoce, uma vez que atinge pessoas na faixa etária dos 20 aos 30 anos, tendo seus casos em uma porcentagem maior em pacientes do sexo feminino. Isso justifica a importância de fazer acompanhamento com um médico otorrino desde sempre, principalmente quando há uma perda de audição na juventude. Além disso ela pode se agravar ainda mais em gestantes ou pessoas com sarampo.


Uma pequena curiosidade: o compositor alemão Beethoven possuía a doença, o que fez com ele perdesse a audição, impedindo-o de ouvir suas próprias composições.


Causas

 

Falta ainda esclarecimentos quanto às causas da otosclerose, mas há um consenso de que se trata de uma doença com caráter genético e hereditário. Porém vários casos são registrados sem histórico patológico na família o que acrescenta em possíveis causas as disfunções hormonais, metabólicas e vasculares; traumas e também as infecções virais.


Ela pode atingir os dois ouvidos mas é bem comum um ser mais afetado do que o outro. Quando não realizado o tratamento correto a perda de audição pode aumentar e assim alcançar a surdez definitiva.


Sintomas


Um dos principais e mais notável sintomas é a perda auditiva, unilateral ou bilateral, em que o paciente percebe uma perda que progride com o passar do tempo. Sendo assim inicialmente há dificuldades em ouvir sons de baixas frequências e a medida que a perda vai aumentando os sons de média e alta também vão ficando mais difíceis de serem identificados. Além disso há outros sintomas que indicam a presença da doença, como: o zumbido no ouvido, problemas relacionados ao equilíbrio e também as vertigens. Por isso fique atento, se apresentar qualquer desses sintomas procure um médico otorrino, ele com certeza irá identificar e diagnosticar de uma maneira mais rápida e eficiente.


Diagnóstico


Para que a otosclerose seja diagnosticada é indispensável que um otorrinolaringologista seja consultado, pois ele irá avaliar a situação de uma maneira completa, através de uma boa avaliação clínica e de exames, que são eles: timpanometria, impedanciometria, timpanograma, audiometria tonal e tomografia computadorizada. Através desses exames será possível que o médico chegue a um diagnóstico correto, acompanhe o estágio da perda auditiva e indique a melhor maneira para se seguir com o tratamento.


Tratamento


Infelizmente não há ainda uma cura definitiva para a doença, porém há alguns caminhos para seguir afim de tratá-la, aliviar os sintomas e consequentemente retardar sua progressão. Existem três caminhos, são eles:


• Uso de medicamentos: é um tratamento que tem como base a prescrição de remédios à base de bifosfonatos e fluoreto de sódio, pois são ótimos para evitar com que a doença progrida, controlando-a. Entretanto o uso desses medicamentos dependerá de cada caso e principalmente da sua gravidade, uma vez que eles não melhoram a audição.


• Uso de aparelhos auditivos: nos casos em que a perda de audição já estão maiores é necessário que o paciente utilize o aparelho, uma vez que ele irá contribuir para que o paciente ouça melhor e também para que os sintomas sejam reduzidos. Mas em casos mais graves o aparelho não será tão eficiente.


• Tratamento cirúrgico: a cirurgia (estapedectomia ou estapedotomia) é optada em casos que realmente será melhor a opção. O procedimento consiste em remover o estribo e substituí-lo por uma prótese de teflon ou titânio, processo consideravelmente tranquilo, realizada a laser em grande parte das vezes e que traz bons resultados para o paciente e sua qualidade de vida.


Dica do dia: cuide e dê atenção à sua audição


A perda auditiva causada pela otosclerose pode em casos raros se manifestar desde os 7 anos, porém a grande maioria se manifesta bem no fim da adolescência. Este fato pode nos deixar preocupados, por isso é muito importante nos cuidarmos e darmos atenção a pequenas coisas. Quando digo em nos cuidarmos me refiro a estar com a saúde em dia e também estar atento aos pequenos sinais, pois muitas pessoas o sentem e não buscam ajuda médica, e assim quando percebem que de fato há algo a mais a doença já está bem avançada.


Precisamos quebrar esses paradigmas de que surdez é só coisa de velho, a perda auditiva pode atingir pessoas de todas as idades. A otosclerose é uma doença séria e que pode ser retardada quando identificada de maneira precoce.


Se você tem algum familiar que possua essa doença é preciso redobrar a atenção, mas lembre-se de que não é só o fator de hereditariedade.

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